quarta-feira, dezembro 17, 2008

"Ok, já sei o que é que vou tocar. Vou tocar uma música... vou tocar esta música."

O silêncio deixa-me ileso e que importância tem…


Disseram-me que “tudo o que dizemos, não é verdadeiramente nosso”.
Mas não gosto tanto da ideia de universos paralelos como do sentido de vidas perpendiculares.
Há pequenos cantos onde o desconforto de querer dizer a coisa certa confunde-se com um calor corrupto.

Não cedo…
este segredo…
é frágil e é meu.


Eu não sei tanto sobre tanta coisa… que às vezes tenho medo de dizer aquelas coisas…


A minha inteligência eleva-se acima da minha vontade.
E com as forças da natureza que repelem e impelem a sensível pele do incerto a afirmar-se,
Não me perguntes nada… eu não sei dizer.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Maria tem dói-dói

Numa noite de Lisboa, numas escadas num bairro no alto, a vida passava e esforçávamo-nos por acompanhá-la (ela às vezes tem as pernas maiores do que o tempo).
São 4 mas subdividem-se em 2+1+1. As duas não precisam de palavras para comunicar. Há sorrisos, olhares e meias palavras, incompreensíveis para qualquer outro, que exprimem todos os desejos, vontades e frustrações. E entre qualquer transmissão de pensamentos solta-se um risinho cúmplice.
Os olhos vagueiam, a mente vai-se passeando em dançantes rodopios em torno de algo mais profundo do que as pedras pisadas da calçada portuguesa adivinham… e o corpo mostra-se presente.
O que (se) passa aqui? Não é essa a questão. O que se gostaria que passasse e o que se passou e passa noutro sítio. Porque assim somos, insatisfeitos e sempre com fome demais, de mais.
Maria apresentou-me a paciência.
Inventou letras para músicas inalteráveis, blasfémias encantadoras.
Maria conduz como um taxista em Lisboa.
Mas Maria também pisa a uva e calça sapatos altos.
Maria é uma mulher na alma de uma criança.
Maria, Maria, Maria… um dia chamaram-te Caterina.
Assim como foste a minha perseverança, poderei ser a tua mão direita enquanto te fizer falta.

This Is Not a Love Song

Ouvir.
Rir. Rirmo-nos. Rir.
Falar mal de. Ele. Nós.
A voz.
Ser preconceituosa é feio, e julgar sem total conhecimento de causa foi precipitado.
Desculpa, André Sardet. Não sabia que tinhas feito um álbum para crianças.

sábado, novembro 08, 2008

Há Ofensas Elogiosas

"Já são dez para as seis da manha
E há mais um imbecil a pensar
Este mundo não foi feito para a gente entender
Nem por isso eu deixo de o tentar"

Manel Cruz


segunda-feira, novembro 03, 2008

So Sorry

Progressivamente a afastar-se do progresso







Deixa a porta entreaberta e não esperes por mim

quinta-feira, outubro 30, 2008

Karma Police

- Essas tuas mãos andam muito libertinas…

- É tudo muito relativo…

Se isto fosse aquilo… ficaria por dizer…

- Gosto de conversas relativamente longas em dias de chuva.

E a seguir, roubou-lhe um beijo.

Porque ser poeta é qualquer coisa que não isto,

Se isto fosse aquilo e não isso que isto é… aquilo que isto seria, ficaria por dizer.

domingo, outubro 12, 2008

Caleidoscópio

Inventar vem de (em) aventura, quando o vasto léxico não toca o horizonte que nos leva para lá do comum e razoável.
É preciso tirar os pés do chão, é preciso ler o dicionário de pernas para o ar... porque já não há química romantesca.
"A-CA-bou-se."
Não gosto de manhãs. Gosto de entardeceres, gosto da entrada na noite e gosto particularmente de uma madrugada em que parece que só nós é que estamos de pé em todo o mundo.
Todos estão a dormir, a deixar o momento passar… e nós a vivê-lo.
Amanhã quando todos acordarem de manhã e começarem o seu dia, nós já vivemos o nosso.
Foi-se tudo na nossa madrugada e bastou esse tempo para podermos dormir toda a manhã e o início da tarde para só acordar para mais um entardecer.
Vivemos ao contrário do mundo mas só assim poderíamos ser quem somos.

segunda-feira, outubro 06, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

.

Chamemos-lhe Carisma

sexta-feira, setembro 05, 2008

"Eu queria ser músico de Jazz... eu queria ser... (...) mas não controlo o meu ser."

- Olá.
“Olá”, responde ele com uma expressão indecifrável que tão bem o caracteriza.
Tento, porém, mudá-lo um pouco e pergunto, num tom de quem não sabe bem se deveria perguntar:

- Estamos bem?

Mais uma vez, a sua resposta é tão esclarecedora como se nada tivesse respondido: “estamos”.
Preciso de uma expressão familiar!, daquelas que todos usamos: um sorriso sedutor, um olhar de desprezo com uma voz chateada… algo!
Depois de uma pausa e um olhar (com o qual tento transmitir "podias dar uma ajudinha…"), digo:

- Mas… Estamos iguais?... Ou mudámos?


Tenho medo que diga que mudámos, mas não vejo como é que podemos estar iguais.


É um pacifismo tipo Guerra Fria.
O triângulo das Bermudas.
A história de Inês de Castro e um coração arrancado pelas costas.

terça-feira, setembro 02, 2008

Em sentido, Camarada! (I DON'T kiss and tell...) - Recruta, abaixo 86 vezes!

São 6h30. Já só faltam 15h…

Se conseguir dormir, facilmente passo 10h em fast-forward. O problema está, exactamente, em conseguir dormir.
Estou cansado mas o meu cérebro não quer abrandar.
Revejo tudo a acontecer. E não percebo quais são as teias que ligam uns factos aos outros.
E tento formar argumentos, razões e histórias subliminares para que algo faça sentido.

Não faz.

São dias de guerra. Há batalhas a travar. O território a conquistar ainda é indeterminado.
Eu sou o soldado que fuma o seu cigarro dentro da carabina.
Camuflo a incandescência… E por isso, não me vais ver. Porque me vou esconder debaixo do que sempre fui.
Na complexidade da singularidade e na simplicidade da multiplicidade.

Absorvo o exterior. Tento perceber o azul e o amarelo e esgoto-me em verde.

Já não se fazem segredos como antes mas eu ainda guardo os meus. Dentro de mim. Ao verbalizá-los, acabam sempre por se perder…
A palavra de ordem é: cumplicidade. E eu não gosto de intermediários.
É quente e é fria. É o que fazes com que ela seja ou o que ela quer ser para ti.

E enquanto penso na falta de cedências, abdico de mais um minuto para deixar-me adormecer.

Está e não está. O lugar é só uma localização espacial.
O tempo dura o necessário. Um atraso conveniente emerge da insegurança.
Mas a monotonia deixa-me a desafinar…
Divido cada dia em dois. E não é por isso que deixo de ansiar que o tempo corra.

Ainda só são 6h35.

Não deveriam ser precisos pretextos.

segunda-feira, setembro 01, 2008

sábado, agosto 02, 2008

Umas Reticências no Meio de Uns Parêntesis

Porque ele é...
(tal como é)
(Será que o é?)
Ficas assim...
(Como és, te tornaste ou tentas ser)
Na legitimidade do não saber.
(como és para ele e como ele é para ti)

segunda-feira, junho 30, 2008

The Space Between - When It Falls (Zero 7)

Já o sentia à distância... Conheço aqueles passos interrogativos melhor que os meus.
Respirou ofegante por cima do meu ombro e, numa expiração, senti-lhe o hálito a álcool etílico puro.
Virei-me, a medo, e vi o pino de segurança da granada entre os seus dentes. E ele, de braços abertos, como se se entregasse, qual mártir, a uma causa cuja solução não era esta.
Conversar com uma granada pronta a rebentar na mão de alguém alcoolicamente alterado nunca foram boas condições para um diálogo.
Encostada à parede, digo a verdade (sempre me ensinaram que "quem diz a verdade, não merece castigo").
Aprendo que é tudo uma grande mentira.
A maior parte das pessoas que exige a verdade, não está pronta para tê-la. Quer saber porque se sente perdido... mas quando tem a informação na mão, não sabe o que fazer com ela e acaba por dar um passo atrás em vez de o passo em frente.
Quem se enche de coragem e diz a verdade é que acaba por ser recriminada, mesmo que a verdade dita não fosse o mais importante mas sim o facto de ter dito a verdade.

Ele larga a granada.

sábado, junho 21, 2008

O Céu É Maior


Esquadros

Dizem as lendas (ou então as pessoas com quem partilhei os últimos tempos) que

tudo o que é de Bologna, de Bologna não poderá sair.


Tentámos levar um pouco daqui e as forças da cidade detiveram-nos... Sorrimos ainda que meio tristes, porque aprendemos a harmonizarmo-nos com estes ventos da melhor maneira possível. Conseguir o equilibrio é fácil quanto mais prontos para cair estivermos.
A minha menina dos olhos azuis já se foi, assim como a das pernas de algodão. Só fiquei eu e este calor asfixiante.
E com o tempo a sorrir com os seus grandes dentes, despeço-me sem me ir embora. Baixo a guarda… Mas tenho que ter a força para erguer de novo a armadura. Há medo. Medo de... não ter lugar.
Debaixo das arcadas dou os últimos passos desta viagem... escrevo no telemóvel tudo isto porque me têm faltado as palavras parada.
Agora, já sentada debaixo desta árvore, enquanto espero por qualquer coisa, observo o irreal disto tudo. Como estão todos aqui e aqui não há nada. Só vão permanecer fotos que vão envelhecer connosco, e de sépia perderão a cor até ao preto e branco.
Ainda tenho a queimadura do teu cigarro de quando te aproximaste demasiado de mim.
Encontro-me entre espirais infinitas em defesa do Holismo e metamorfoses disléxicas. E... mesmo assim...

Às vezes sabe bem um cliché.


Feelin' the Same Way

Adeus Bologna.

quinta-feira, junho 12, 2008

"Toma lá, que já almoçaste"


Joss Stone - Son of a Preacher Man

sexta-feira, abril 18, 2008

Over And Out

Já sonhei em inglês, sempre me lembro de falar português e agora só oiço italiano.
Na recordação estás tu… a Minha Pessoa. Relembro-me de ti, de nós, mas num tempo distante.
Estranhamente és(-me) o estranho que conheci por mais tempo.
Estranhamente és quem mais (me) estranha por me conhecer tão bem.
E por mais estranho que possa parecer... é uma estranheza conhecida... porque afinal de contas, sempre me conheceste assim.

Escreve(-me) nas folhas.
Eu ando por aqui… a perspectivar, retrospectivamente…

sábado, abril 12, 2008

Dois Mundos

Dentro de mim passa-se um mundo e outro.
Um quer tanto girar em torno do sol, o outro quer estagnar e nem sobre si mesmo se envolver.
Todo o tempo que tenho é meu. O meu egoísmo anda cobiçoso.
E dentro de mim…
Excrementos da alma, da razão, da consciência, da culpa.
Falta. Faltas-me e faltei-te.
Cá fora…
Se te balançares muito o mais provável é que não tenha força para agarrar-te… fica quieto, parado, espera por mim. Aliás, não esperes, vem buscar-me.
Tenho a mão no bolso?
É um bolso falso. Serve apenas para me tentar proteger do que chega mais rápido ao sentimento do que à razão, a verdade, é só uma sensação de falsa segurança.
Tapa-me a visão e aquece-me os ouvidos com palavras que me desorientem. Que me tumultuem.
Tira-me o chão debaixo dos pés!
Faz-me saber a que é que sabes…
Não há tempo. Não há tempo para nada. Não há tempo para ninguém.
Mas há!
Há momentos.
Agarra-os.

Quanto mais te quero dizer…

sábado, março 29, 2008

A Teoria do Caos Determinístico para o Capitão Romance

Estende-lhe a mão para que lhe cries o vício e depois deixa-o... a contorcer-se... sozinho... a ver-te sem lá estares. A morder o vidro e cuspir sangue... O verde da esperança já há muito que secou.
Subiram ao topo das torres e acreditaram que estavam mais perto do céu. Mas, embora abafado pela multidão, nas ruas estava gravado um passado… e sabiam que a inclinação de uma torre abalaria a sua felicidade.
O declive é desenhado como um sacrilégio para os demais ingénuos. É uma ingenuidade Primaveril seguida de uma possível morte prematura.
Esperam pela mais escura das noites, na esperança de um novo e resplandecente amanhecer. Ainda mantêm uma agulha na pele, numa costura débil e indefesa para agarrar os restos que ainda permanecem marcados a ferro, desejando uma cicatrização.
É a Teoria do Caos.
“Uma transformação inesperada num futuro incerto” - o efeito borboleta. Borboleta essa que quando lhe tocar nas asas deixará de poder voar. Anda sobre o fio da navalha… a navalha que corta.
No entanto, persegue a borboleta com um brilho nos olhos e uns sapatos velhos nos pés. Embora os sapatos não dancem como antes, são cómodos e sabem a casa. E por mais que o bater das asas possa ser emocionante, as inúmeras cores enganam e seduzem a um caminho percorrido pelos velhos sapatos que ainda não andaram todos os quilómetros. Fizeram os prados verdejantes e algumas partes lamacentas mas ainda não enfrentaram a guerra...
Agora, têm que se molhar e conseguir secar.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Fantasias

Fantasias são extraordinárias formas de completarmos o presente, passado ou futuro. São formas de fuga (mesmo que não haja nada de que fugir, sem ser as limitações da vida). São imagens, deambulações, dissertações da nossa mente e desejo.
Em mim, e a meu ver, são saudáveis e permito-me essa suposta infidelidade ou pseudo-deslealdade à minha relação real.
Penso que a única exigência, o critério de admissão a este mundo, a esta janela, a esta viagem, é saber mantê-las (apenas) como uma fantasia. Porque a partir do momento em que se tornassem palpáveis, perderiam todo o seu fascínio.
Preenchem espaços que a nossa fome humana insaciável e complexa não deixa que os outros que aqui estão, ocupem.
Não sei se sou altruísta ao ponto de dizer que admito e não me custa que o meu parceiro também as tenha, porque nem todos temos as mesmas necessidades nem a mesma facilidade, sinceridade, abertura e honestidade ou mesmo percepção dos nossos desejos mais íntimos. Escondemo-los ou abafamo-los no nosso íntimo, com o juízo social a ecoar, enquanto estamos na nossa tribuna, censurando e repreendendo-nos, dizendo serem errados.
Talvez fantasie porque o meu cérebro está em constante funcionamento, em fabrico de pensamentos, e sabe-me bem, representa um desafio, saber o que me parece agradar e o que pareço cobiçar ao de leve em fantasia (algo basicamente carnal), e o que tenho na vida real.
Sei que na realidade, o toque quente de uma mão autêntica é muito mais forte do que um pensamento esvoaçante. E que uma fantasia pode tomar-nos horas a contruir-se e completar-se mas o aqui e agora, o que existe, é o que me faz estremecer.
Quando escrevo, desvendo-me e obrigo-me a conhecer-me e a afirmar com certezas o que me passa pela cabeça como um sopro, e apontar uma teoria coesa, consistente, coerente.
E por isso, não posso deixar de declarar que a minha mente tem muita força, e com ela posso fazer tudo, fantasiando.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Cegueira Voluntária

Se existir chão, correrei.
Se houver sítio, sentar-me-ei.
Se estiver calor, aí permanecerei até que a vontade mude, a estação se vá.
Lá fora, o céu molha tudo e os limpa-pára-brisas são demasiado rudimentares para atingir a visão, a mente humana.
Cegos, continuamos a dirigir-nos ao tão aclamado Norte, fechando as portas à esquerda e à direita e até mesmo a bagageira.
Compartimentamos nas malas todo o peso das memórias e esperemos que lá fiquem estagnadas.
Quem é que disse que olhar para trás é mau?

quarta-feira, novembro 28, 2007

Esperar na Idade dos Porquês

A idade dos porquês é quando uma mulher quiser.
Mostra vontade de crescer,
mesmo já tendo supostamente crescido para lá dessa idade.
Viverei na idade dos Porquê's para sempre...
Quem não questiona, acomoda-se a apenas respirar e aceitar o que lhes é dado, ou dito.
Nos Porquês está a rebelião. Está a necessidade de assimilar para rebater ou justificadamente concordar, de consciência tranquila (para quem a tem).

Ando com pressa de me mover para o futuro
Há em mim uma vontade de respirar todo o ar que os pulmões suportem de uma só inspiração…
Há uma euforia a alimentar.

quinta-feira, outubro 25, 2007

A viver no Alasca há uma semana

Anda num género de dia interminável, vai para a cama mas o sono não existe, simplesmente entra num modo pseudo-knock-out. Acorda e parece que não dormiu.
Costumava acordar com preguiça e vontade de se espreguiçar. Agora acorda com uma corrente eléctrica a percorrer-lhe o corpo. Acorda já com a ideia que há algo que deve fazer. Mas não sabe bem o que é. É estranho... Achava que havia algo de errado em querer estar na cama mais umas horas, talvez porque incutem essa ideia, mas agora parece que sente falta dessa calma. Sente-se constantemente em falta com algo, algo que tem que acontecer para voltar a sentir-se "normal", mas o mais frustrante é que não sabe o que é. Está em sítios mas não lhe parece nada que esteja lá. Não se sente dentro deste corpo. É como se tivesse que estar noutro sítio. Mas não sabe onde.
Têm sido as horas mais estranhas do meu ano.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Fiona Apple

Extraordinary Machine

Paper Bag

Fast As You Can

Zero 7


Somersault


Home

sábado, junho 23, 2007

"Listen when I'm silent... There's a sound that only you can hear"

Guardo... E faço-o porque quando partilhei tive que apelar à minha inocência. Prometer que o pensamento era vão, que nada significava. Pisar o sentimento porque não era adulto, coerente, possível.
Talvez haja um problema de expressão, ou uma linha de diálogo difusa, em que o que parte de mim, transforma-se pelo caminho e chega ao outro lado completamente diferente.
Talvez sejam só maneiras de pensar diferentes, diferentes estradas, diferentes destinos.
Talvez seja esta a bifurcação no nosso tempo em que cada lado tem o limite máximo de um viajante.
Mas os talvez não levam a lado nenhum... só ajudam a perceber que há algo de errado neste sitio.
Porque onde há uma questão, não há uma certeza.

sábado, abril 14, 2007

Sexta-Feira 13

Se existem ou não, não sei. Não sabemos. Mas as histórias deles vão-se espalhando de boca em boca. E mesmo que se lhes acrescentem um ponto, a dúvida sobre a sua veracidade permanece.
Se estão entre nós, é engraçado, como seres inteligentes, acharmos que especialmente hoje e, agora que falamos deles, eles apareçam.
E por mais inseguras que fiquemos, o medo entranha-se de uma forma estranha e não nos impede de pedir mais uma história. Aliás, a curiosidade e a insaciedade que nos são inerentes, fazem-nos pedir mais uma e ainda outra.
A inexistência de vida nas ruas, a noite e o silêncio destas horas da madrugada trazem uma carga simbólica gigante.
Trazem mais medo, mais inquietação.
O culminar é o susto final!
Arranca-se! e implora-se que não se fale mais nisso.
....Agora só queremos conseguir dormir para chegar o amanhã....


E lembrar que antes gritaste uma palavra e um estranho te sorriu...
Brutal.

sábado, março 24, 2007

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és...

Será que isso quer dizer que não nos definimos a nós próprios, sozinhos?
Teremos que andar com a nossa definição noutra pessoa?
Não consigo estabelecer um padrão nas minhas amizades... Nem percebo porque é que tenho que ter um conjunto semelhante de amigos. Na verdade, se pensar ao longo dos tempos, já me dei com pessoas completamente opostas. Será que isso quer dizer que não tenho um mínimo traço de personalidade definido? Quererá dizer que por gostar de pessoas tão diferentes, não gosto verdadeiramente de nada?
Acredito na versatilidade, numa mente aberta a todas as ideias novas e no saber ver diferentes coisas em diferentes pessoas. Não querendo isso, necessariamente dizer, que eu sou o espelho das pessoas com quem me dou.
..."Os opostos atraem-se"...
..."Normalmente, damo-nos bem com as pessoas com quem nos identificamos, com quem temos algo em comum"...
- O mundo não sabe o que quer...

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és?
Bullshit!
Acho que queremos simplificar demasiado o ser humano, quando a sua beleza está na sua complexidade.

Ídolos

Vão e vêm... mudam com o tempo e connosco.
Nunca consegui eleger uma pessoa como um ídolo. Vou arrancando fragmentos de uns e outros; de pessoas ao meu lado e do outro lado do mundo.
Observo o social... quase sempre... e sempre muito. Gosto de arrancar aquele segundo de qualquer um que tenta esconder algo menos superficial. Gosto de descobrir aquilo que parece tão importante não revelar, sendo que, normalmente, ficaria tão melhor à vista de todos.
Por vezes, sem procurar, descobrimos coisas ou, neste caso, pessoas, que desejávamos ter conhecido há mais tempo....

terça-feira, março 06, 2007

Para: Brandão e restantes OUTcubus

Delirei na primeira aparição no Pavilhão Atlântico, tenho muita pena de não ter comparecido no Coliseu.
Lembro-me bem como foi estar no meio da multidão e quase perder o equilibrio por haver tanta gente em êxtase total.
As marcas das grades que hoje carrego são vãs e lembram-me sempre de odiar um pouco mais a banda.
O último album é um desvio absoluto de quem foram, em tempos de glória merecida.
A "Love Hurts" causa-me náuseas após as piadas intermináveis a que permite perderem a graça. A "Kiss to Send Us Off" simplesmente irrita-me.
E, sinceramente, não sei se estou a ser justa... Imparcial, jamais! Os cd's que lhes reconheço vão de Fungus Amongus a Crowd Left Of The Murder (e já é puxadito).
Não reconheço a banda sequer. O Brandão anda para ali em danças amaricadas, mãos à Amália, para não falar das luvinhas que levam a alguns minutos de alucinação - devia ser das calças que lhe apertavam os neurónios. Aquela coisa branca que nem sei o que lhe chamar e o chapéu que ... nada trazia de positivo. O Mike agarrava a guitarra só porque sim. O Kilmore mexia um bocadito nas suas maquinetas e nos tempos mortos sorria para o público. O baixista, cujo nome nem será aqui escrito deve achar que toca ali numa banda de reggae de putos betos de Cascais e o Pasillas também não deve ter transpirado muito - afinal maior parte das músicas foi tocada da maneira mais homossexualmente calma possível.
Não devo deixar de mencionar o que realmente fica da noite - desilusão, desperdício de dinheiro e tempo, constatações bastantes acertadas da minha cara amiga B.: havia pessoas mais interessantes no público do que no palco, o concerto acabou antes de pessoas em Lisboa acabarem de jantar, há seguranças com um dente a menos que mereciam ficar sem todos, há raparigas que mereciam morrer, "pane.. pane, quê? paneLEIROS!"; da cara colega Ra.: "Desculpa lá mas não tenho onde as pôr"; do ilustre F. e da minha cara amiga Re.:(cuja memória me falha para uma afirmação marcante nesse dia específico mas recorda-me de outra noite - "e a cintura! oh meu deus, ele não tem ideia..." e "[qualquer coisa como «extrovertida»] -ok... podes pôr o tempo! ok... 'tas a ver a Sailormoon? -...Não? -oh, assim não sei explicar!" -> Respectivamente). Ah, o F. também referiu aquando da majestosa subida do vocalista dos More Than a Thousand para o palco: "parece um porquinho..." - e relembrando-me de outras intervenções (que vou poupá-lo de referir), posso concluir que este homem é implacável. Nada lhe escapa e nada perdoa. É bom ter mais um no grupo :p
Quero acabar agradecendo aos 4 que me acompanharam e principalmente ao "sorriso do engate" da B. que mudou por completo a minha visão do mundo e suas seduções.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

"Freak On a Leash"

Não gosto de falta de determinação.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Tempo de Mudar, Tempo de Esquecer

Quando erramos e, mais ou menos desesperadamente tentamos agarrar o que nos escapa por entre os dedos, dizemos de tudo um pouco... mas mais daquilo que se quer ouvir: Mudei.
Mas... se houve mudança... bem, terá sempre que haver um período de desconfiança e, se tudo correr bem, seguir-lhe-à um de reconquista. Mas se se chega ao ponto de dizer: mudei, já não sou quem era, quem conheceste... Então... já não te conheço! Então, és um estranho. Então... se nada mais há de comum com o passado, nada mais há que me una a ti.
Conversas pseudo-profundas com objectivos completamente opostos, contradições...
Se esquecer, é porque não me faz falta. Se quiser, volto a aprender.

"Repercutir-se na vossa simpatia? Nem Jesus, nos seus mais aureos dias, se envolvia de uma aura de afecto e simpatia comparáveis com a emanada na vossa presença.. Poderás pensar em exagero, num estado de alma exacerbado mas a verdade é que a vossa simples companhia traz luz, brilho, perfume, encanto às nossas humildes vidas... E cabe-te a ti, enquanto pessoa dotada de atributos excepcionais e de um carácter inequivocamente distinto, pesar as consequências pesarosas inerentes à tua ausência... Choro, lamento e rogo para que venham..."

Se eu não tivesse um cérebro, talvez...

terça-feira, fevereiro 06, 2007

N.Y., Friday, 9 p.m.



A cama estava atolada de roupa. Vestidos, blusas reduzidas, saias... lingerie a espreitar pela gaveta, sapatos em pé e deitados no chão. Tudo de linhas delicadas e saltos bem finos e pontiagudos.
A casa-de-banho estava uma confusão. Era impossível pousar um alfinete na bancada. Tudo cheio de coisas necessárias. Mas, e daí... talvez coisas que ela nunca usou.
Imagino que tenha pegado na minúscula mala e saído porta fora ainda meio cambaleante, a tentar encaixar as sandálias à medida que andava, com uma perna para cima e outra a apoiar todo o corpo. O cabelo ía solto e, ao pisar a calçada, esvoaçou enquanto ela olhava para a rua que iria seguir.
Ía de vermelho, a femme fatale que, no entanto, nem se apercebia que o era.
Ao andar, num passo rápido, ainda a passar as mãos pelo cabelo, a ajeitar a alça do vestido vermelho, a ver se tinha posto tudo na mala, ía com a sua atenção no que faltava e, quando chegou ao fim da rua, lá levantou a cabeça rapidamente para ver onde era a continuação do seu percurso. Mas nem quando olhou para a rua nestes segundos se apercebeu que toda a rua a olhava, ainda continha a inspiração do perfume que ela deixou ao passar e guardava em segredo colectivo o desejo feminino de ser como ela ou, masculino, de a possuir.

domingo, dezembro 10, 2006

Ir

Hoje acordei com uma saudade imensa do resto do mundo.
Saudade do desconhecido, e saudade do entusiasmo em ir e da pena no voltar.
Já há muito que fico pelo familiarismo de cá.
Apetece-me encandear-me com as luzes de Nova Iorque, navegar nas gôndolas de Veneza, ou ir por aí nos destinos dos carris.
Saborear algo interessante, ter uma aventura rocambolesca, tirar mil e uma fotografias...
Gostava de ir... em breve...

segunda-feira, dezembro 04, 2006

That's exactly what he told her... at least, that's what she told me (Oldie)


"O tempo não passa por mim: é de mim que ele parte...
Indeterminavelmente certo
Não me terá cabido o inventário de um mundo descoberto, mas o roteiro de um mundo a descobrir; não o relato do que se encontrou, mas o da viagem para se encontrar
Não são perguntas, são interrogações.... E interrogações.... não têm resposta."