terça-feira, outubro 27, 2009

Se Calhar...



Let me sing you a waltz, out of nowhere, out of my thoughts…
Let me sing you a waltz about this one night stand…


Havia uma porta vermelha naquela rua.
Tantas vezes passou por ela que deixou de se aperceber que ela ali estava.
O contraste feliz da porta em dias de nuvens brancas e fofas, esculpidas num céu azul de luminiscência ofuscante,
ou mesmo em dias cinzentos em que o vermelho era quase sangue,
fazia parte das pequenas coisas do dia-a-dia que passam para segundo (e terceiro... e, quarto...) plano na nossa atenção porque as temos como garantidas. E era vermelha.
Tinha pequenos rectângulos de vidro na parte de cima e rodeava-se de uma parede de tijolos castanhos, sujos pela intempérie, mas seguros por anos.
Tantas vezes passou por ali e nunca viu a porta vermelha abrir-se.
Tantas vezes por ali passou que a curiosidade de crescer para, finalmente, poder evitar saltos embaraçosos, e ver o que estava para lá da porta vermelha, também decidiu passar...
Encarnada como a carne que escondia por baixo da pele, a porta não envelheceu como as rugas do seu rosto.

Let me sing you a waltz, out of nowhere, out of my blues...
Let me sing you a waltz about this lovely one night stand...

Apaixonar-me-ei para sempre em Agosto.
Porque “um peito que canta o fado, tem sempre dois corações” e,
“eu não sei falar de Amor...”,
fiquemos só assim, de mãos dadas no banco do jardim.



Porque Paixão é muito mais do que uma porta vermelha e
Amor não se segura com tijolos.

1 comentário:

André Ricardo disse...

olha um dos meus filmes favoritos...