Hoje o meu pensamento fluiu pelas diversas formas de liberdade, nos seus diversos campos de acção e o quão controversa esta pode ser.
Primeiro estava tudo silencioso e uns cães começaram a ladrar. Os mais citadinos, barafustaram. Eu, mais ou menos citadina que qualquer um deles, recordei. À memória veio-me uma aldeia. Os cães a ladrarem numa noite de Verão com todo o silêncio que nos circundava lembrava-me uma aldeia. Talvez tal como quando como algo com uma especiaria que a minha avó utiliza e é raro saboreá-la vinda de outra pessoa, a minha memória remete-me para lá. Como é que podemos libertar-nos da memória? Neste caso a reminiscência é de felicidade. Mas e quando não o é? Quando não o é, traz a mágoa. E uma profunda mágoa ou até mesmo revolta traz perturbações.
A revolta vem a mim quando vejo filmes como “Os Condenados de Shawshank” ou “Sleepers”. O abuso do poder, a injustiça e a falta de força (no sentido hierárquico) para virar o jogo. Por vezes é necessário ser paciente e inteligente, outras vezes uma vingança passional equilibra a balança.
Porém, além das atrocidades que podem dar-se dentro daqueles muros, o primeiro filme também mostra um outro lado. Prisioneiros que cumprem pena há tempo suficiente para dizerem que ali viveram a sua vida. Para começarem a contrariar os receios vulgares, e temerem mais o exterior do que os quatro pontos tatuados na pele. E aí? Para que lado pende a liberdade?
Por fim, a liberdade no amar alguém. A questão que emergiu foi: se tivermos uma relação com alguém, se amarmos alguém, e depois acabar, poderemos dizer que realmente acabou? Se, depois de outras relações, a vida nos levar a unirmo-nos novamente com essa mesma pessoa, poderemos dizer que algum dia a deixámos de amar? É que, se sim, então estamos a apaixonarmo-nos por outra pessoa que tem o mesmo corpo? Ou nós mudámos e o nosso novo eu está a apaixonar-se pela mesma pessoa? Como é que podemos afirmar que deixámos de amar alguém que depois voltamos a amar? Será que o entretanto não é apenas mágoa e vontade de esquecer?
Sei, de algum texto gravado em folha branca ou de sabedoria que alguém me passou, que o Homem terá sempre liberdade de pensamento.
O único fim à nossa liberdade é a morte. E, mesmo essa, há quem acredite que é o início da maior liberdade de todas.